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segunda-feira, 5 de junho de 2017

KIBON

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A história
A história da KIBON começou na década de 30 na cidade de Xangai na China tendo origem em uma empresa criada por um empreendedor norte americano chamado Ulysses Harkson. Saboroso desde o início, o negócio acabou por se tornar lucrativo já nos anos 40, mas com a ameaça da Segunda Guerra Mundial, e conseqüentemente a tensão entre Japão e China, foi inevitável a transferência da filial para fora da área de conflito. Que sorte a do Brasil, que acolheu a nova empresa na cidade do Rio de Janeiro em 1941, fundada por John Kent Lutey, que trabalhava para a fábrica de sorvetes na China, com o nome de U.S. Harkson do Brasil. Antigas instalações alugadas da falida fábrica de sorvetes Gato Preto, aos pés do Morro da Mangueira, foram reformadas para abrigar as atividades da empresa, que colocou os primeiros 50 carrinhos de sorvete, já nas cores amarela e azul, nas ruas da “Cidada Maravilhosa” no ano de 1942. Mesmo nesta época de guerra as dificuldades foram superadas e a empresa adotou uma denominação “fantasia” para identificar seus produtos - Sorvex Kibon. A palavra SORVEX foi adicionada ao como forma de impressionar o consumidor, dando um ar futurista à sobremesa. Ainda neste ano, no verão, iniciou-se a produção de dois sorvetes que seriam os campeões de venda da empresa, atravessando décadas até os dias de hoje: Eskibon (um protótipo que contrariava todos os modelos até então conhecidos de sorvete: não era picolé, pois não tinha palito; e também não era servido em taças ou casquinhas. A camada de chocolate que o envolvia obrigava o respeitável público a mordê-lo para chegar ao “recheio”, o sorvete propriamente dito) e o picolé Chicabon, na época, ambos ecritos com hífen.
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Durante esta década, a família cresceu. Surgiram os primeiros tijolos de sorvete, em sabores clássicos como morango e chocolate, e outros genuinamente brasileiros, como coco e castanha de caju. As campanhas publicitárias incluíam extravagâncias como aviões sobrevoando as praias cariocas e lançando picolés de pára-quedas. Antes que a década acabasse, a marca e os produtos KIBON já eram um sucesso. A partir de 1951, o nome KIBON passou a integrar a assinatura da empresa e os picolés ganharam os famosos palitos de madeira. Dois anos depois, a marca foi para a televisão e patrocinou um dos episódios do “Sítio do Pica-pau Amarelo”, de Monteiro Lobato. Com esta participação, também fez história, com seu nome citado no roteiro, inaugurou uma das primeiras experiências de merchandising da televisão brasileira. Em 1955, estreou programa próprio, a Grande Ginkana Kibon, que revelava talentos mirins da dança e da música. Em pouco tempo, a atração se converteria em líder de audiência da TV Record, permanecendo nove anos no ar. Até o fim da década de 50, mais novidades aparecem: sorvete em copinho e em lata, sundae, picolés de frutas tropicais e bolo gelado.
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A empresa ficou nas mãos de Lutey até 1960, quando foi vendida à General Foods, na época um grupo americano que importava café brasileiro. Nesse período, os programas para crianças patrocinados pela marca na televisão eram campeões de audiência. A KIBON já estava no Brasil de norte a sul. Apesar do sorvete famoso, a marca ainda produzia ovos desidratados e congelados para a indústria de alimentos, além de balas (como as coloridas Delicados, amendoim coberto com chocolate e jujubas), chicletes (O PING PONG foi lançado pela empresa em 1945), chocolates (como o Ki-Bamba, Ki-Leite, Ki-Coco, Ki-Passas, Ki-Coisa e Lingote), cereais e sucos em pó. Tudo para depender menos da sazonalidade dos gelados, consumidos mais no verão. Mudar os hábitos de consumo dos brasileiros seria uma longa e constante batalha, que a KIBON começaria a vencer na década seguinte.

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Por várias ocasiões a Kibon realizou promoções, como em 1962, época da Copa do Mundo, com troca de palitos premiados por miniaturas de jogadores. Mesmo em seus primeiros tempos no Rio de Janeiro, a marca já havia produzido uma série especial de picolés - Ki Chute - para venda em estádios de futebol. Com a conclusão da nova fábrica no ano de 1966 era chegada a hora de repensar o visual. Remodelação de embalagens e logotipos e a implementação do conceito do sorvete como alimento nutritivo. A mecanização chegou às fábricas em 1967 com a adoção de máquinas que embalavam os produtos sem contato manual. A propaganda avisava: “Ninguém põe a mão em seu picolé. Embalagem selada”.
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Em 1970, o consumo de sorvete no Brasil estava entre os menores do mundo. Por isso, em 1975, investir na linha doméstica tornou-se palavra de ordem. O aumento de poder aquisitivo da classe média em plena euforia do “milagre econômico” ajudaria a marca a conquistar seus objetivos. O perfil da linha familiar começou a se delinear em 1976, com composições à base de leite e na venda em supermercados das embalagens de dois litros. No ano seguinte, uma falha no fornecimento de folhas-de-flandres – matéria-prima das latas – fez a KIBON adotar o plástico, material que se tornara mais acessível. A mudança impulsionou as vendas naquele ano, com o sucesso da nova embalagem entre as donas-de-casa.
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O trabalho da KIBON em procurar modificar os hábitos de consumo dos brasileiros estava surtindo resultados positivos já no final dos anos 70. Na década seguinte, a linha de sobremesas apresentou novas receitas de doces brasileiros para os picolés. Enquanto isso também foi desenvolvida uma sofisticada versão de sobremesas com inspiração francesa como o tijolo Chandelle. Depois a KIBON acertou em cheio ao lançar o picolé de Tutti-Frutti e o de Brigadeiro em 1982. Foi neste período, em 1984, que surgiu por exemplo o picolé Pimpão, com formato de palhacinho em três sabores.

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Em 1985 a KIBON foi vendida para a Phillip Morris, empresa norte-americana mais conhecida por seus negócios na indústria do fumo, que pagou US$ 6 bilhões por todas as operações da General Foods no mundo. No pacote, a KIBON foi junto. Dois anos depois, a marca ganha o slogan “É gostoso e faz bem”, que a associa ao prazer e à saúde, fortalecendo a imagem do sorvete como alimento. No final desta década, a marca estava presente com sua marca em aproximadamente 40 mil pontos-de-venda em todo o Brasil. A década de 90 chegou com investimentos em tecnologia e em produtos mais sofisticados, voltados para o consumidor adulto. A primeira iniciativa, ainda em 1990, foi o lançamento dos potes Mövenpick, marca suíça de sorvetes finos, em sabores como nozes e framboesa.
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O sorvete tornava-se também questão de estilo de vida – um conceito tão valorizado pelo consumidor moderno quanto sabor e qualidade. Já em 1997, um negócio bilionário leva a Gessy Lever (atual Unilever) para as manchetes dos meios de comunicação com o anúncio da compra da KIBON por US$ 930 milhões. Ao adquirir a KIBON, a Unilever comprou uma marca consolidada. De cada dez picolés ou potes de sorvete vendidos em padarias e supermercados, seis eram da marca na época. Em nenhum outro país do mundo um fabricante de sorvete encontrava tamanha fidelidade no mercado. Sorvetes não eram uma novidade para a nova proprietária da KIBON. Em 1929, o fundador, William Hesketh Lever, comprara na Inglaterra sua primeira fábrica de gelados. Outras viriam – inclusive no Brasil, com a aquisição da Gelato, em 1973.

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Nesta época, com 60% de participação de mercado de sorvetes no país, a empresa resolve relançar antigas marcas da Gelato como em 1998, com um grande e festejado relançamento do Cornetto (que havia sido introduzido originalmente em 1971). Lembra do jingle? Cornetto mio é da Gelato! E no ano de 1999, com o objetivo de fortalecer o segmento de perfil mais sofisticado, a marca Magnum.
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A linha do tempo
1950
● Lançamento do picolé de maracujá.
1964
● Lançamento do KIBONBON, sorvete de coco em caixinha.
1974
● Os tijolos ganham status de sobremesa fina com o lançamento de Charlotte, Kapuccino, e Spumoni.
1978
● Lançamento da linha Doces Brasileiros com os sorvetes Kindim e Kimanjar Branco, que reforçam o conceito do produto como sobremesa.
1979
● A marca investe no público jovem, freqüentador de lanchonetes, com os picolés Banana Ki-Split, Milk-Shake e Sundae.
1982
● Lançamento da linha de embalagens decoradas. Eram seis latas pintadas com motivos art nouveau. O grande sucesso leva a uma nova coleção, com 12 latas assinadas pelo artista plástico Aldemir Martins.
1984
● A KIBON lança novos acompanhamentos para sorvete. A linha, que já atendia a lanchonetes e sorveterias, ganha embalagens menores para consumo doméstico. Ela inclui coberturas, complementos (marshmellow e castanha de caju) e xaropes para milkshakes.
1987
● O clássico Eskibon sai de linha quando os equipamentos que o produzem, obsoletos, são aposentados. O sorvete voltaria no ano seguinte, graças a máquinas mais modernas, com o slogan “Algumas coisas são realmente insubstituíveis. Eskibon só tem um”.
1989
● Lançamento da nova linha Frutilly, picolés de frutas recheados com creme, dirigida ao público infantil.
1990
● Lançamento da linha Diet Form, para consumidores preocupados com a manutenção do peso.
1991
● Os picolés de fruta passam a integrar a família Fruttare, e a assinatura Suco de Fruta no palito é aposentada. Uma nova campanha destaca os sabores da linha, com atenção para Limão, que tem o melhor desempenho na categoria.
2000
● O verão chega com lançamentos infantis, como os picolés Eureka, Cérebro, Big Stick, Risque e Rabisque e a linha Zooado.
● O sorvete Cornetto estréia novos sabores e versões em copinho.
2002
● A KIBON inova o segmento de sorvetes em máquina com o lançamento do Cornetto Kibon Express. O equipamento, desenvolvido especialmente pela empresa, permitia ao consumidor montar seu Cornetto na hora, em shopping centers e cadeias de lanchonetes.
2003
● A KIBON introduz no Brasil a linha de sorvetes Carte d'Or, com sobremesas mais sofisticadas.
● No fim do ano, em parceria, KIBON e Bauducco lançam KIBON Chocottone, panetone com gotas de chocolate, recheado com sorvete Chicabon.
2004
● Lançamento de Cornetto Aphrodiziac, uma edição limitada com três sabores, cada um representando uma etapa da paquera.
● Lançamento do KIBON Ades, sorvete com os mesmos sabores e valores nutricionais da bebida à base de soja da Unilever.
● Inspirada em desenhos animados de grande audiência entre as crianças, a linha infantil traz novidades como os picolés KIBON Bob Esponja Patrick e KIBON Yu-Gi-Oh!, este último com plastito – palito de plástico flexível – na inovadora cor preta.
2005
● A KIBON se une à Adams e lança o picolé KIBON Bubbaloo, o primeiro sorvete com o sabor original do chiclete.
● Lançamento do Chicabonzinho, versão menor do tradicional Chicabon, para o público infantil.
2006
● Lançamento do KIBON Cornetto em barra: estréia da linha em formato diferente do Cone.
● Lançamento de KIBON Sorvete de Chocolate em versão light para sorveterias, primeiro da categoria. Sem açúcar, ele contém 63% menos calorias e 73% menos gordura que o tradicional.
● A KIBON elimina a gordura trans – gordura vegetal hidrogenada que aumenta o risco de infarto, derrame e diabetes – de todos os seus produtos.
2007
● Lançamento do KIBON Napolitano em picolé, em edição limitada de inverno. O sabor, um dos mais vendidos entre os potes de 2 litros, chega para segurar a tendência de queda no consumo de sorvetes no inverno.
● Lançamento do KIBON Leite Condensado, em edição limitada.
● Lançamento do KIBON Refresh, picolés nos sabores Lima-Limão, Groselha e Laranja, nas regiões Norte e Nordeste do Brasil, com preço mais acessível.
● Lançamento da edição limitada KIBON FIESTA, oferecendo potes de 2 litros em duas variantes, com três sabores cada: Brigadeiro, Beijinho & Brigadeiro de Morango e KIBON 3 Chocolates (meio amargo, branco e ao leite).
● Primeira empresa do mercado a lançar sorvetes com 70% leite na formulação. Para se ter uma idéia, duas bolas de sorvete (60gr cada) possuem a mesma quantidade de cálcio que um copo de leite – ou seja, 20% da necessidade diária que deve ser ingerida em uma dieta equilibrada. Napolitano, Creme e Flocos – foram os três primeiros carros-chefe da linha a contar com essa formulação. No ano seguinte foi a vez dos sabores Morango, Carioca, Coco e Abacaxi, Passas ao Rum e Chocolate.
● Lançamento, em dezembro, do picolé GUARANÁ ANTARCTICA, em associação com a Ambev. O produto surpreendeu vendendo 4.5 milhões de unidades em apenas um mês.
2008
● Lançamento, em parceria com a Kraft Foods, da versão em sorvete 2L dos bombons Sonho de Valsa e Ouro Branco.
2009
● Lançamento da linha “Sabores do Coração” com o relançamento do sabor Milho Verde – sucesso no verão – e o lançamento do sabor Amendoim, além de mais uma autoridade em prazer, Magnum Branco, a quinta versão da linha no país.
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A grande estrela
A grande estrela dentre os inúmeros sorvetes da KIBON é o picolé CHICABON, lançado no mercado em 1942, com uma receita exclusiva de chocolate, malte e leite. O nome que se tornou sinônimo de picolé de chocolate é homenagem a uma mulata bonita que se chamava Francisca. Pela semelhança da cor do chocolate e da pele de Chica (apelido da deslumbrante mulata), o picolé acabou sendo batizado.
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Em 2007, para comemorar os 65 anos do picolé CHICABON, a KIBON investiu R$ 1.5 milhões em ações de aniversário que incluíram embalagens comemorativas (em estilo vintage que explorava os elementos das principais embalagens das seis décadas de história do produto), novo formato de sorvete e uma promoção cheia de desafios e prêmios. Outra novidade para a data foi o lançamento do MINI CHICABON que consistia em uma caixa recheada de mini-bombons de sorvete CHICABON cobertos por chocolate ao leite. Com o lançamento do MINI CHICABON a linha passa a contar com picolé, pote 2 litros, embalagem multipack (com 5 picolés para consumo em casa) e milk shake (introduzido no ano de 2007, em parceria com a rede de lanchonete Bob’s). Na imagem abaixo é possível acompanhar a evolução do logotipo e das embalagens do produto ao longo dos anos.
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A evolução visual
Em 2000, a KIBON apresenta oficialmente um novo logotipo (criado um ano antes): um coração de contorno vermelho, que passa a identificar a marca nos pontos-de-venda, estabelecendo uma relação afetiva com os consumidores por meio deste símbolo universal. Foi uma grande ousadia mudar a tradição do famoso K (como logotipo) no Brasil para o coração. A mudança foi gradual. Pouco tempo depois o logotipo sofreu pequenas mudanças passando a ser impresso em cima de um fundo vermelho. O coração da KIBON aqui é o mesmo coração de outras marcas da Unilever no mundo. É uma Powerbrand: você vê o símbolo e, em qualquer lugar do mundo, associa ao produto.
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Dados corporativos
● Origem: Brasil
● Fundação: 1941
● Fundador: John Kent Lutey
● Sede: São Paulo
● Proprietário da marca: Unilever
● Capital aberto: Não
● Presidente: Vinicius Prianti (Unilever)
● Faturamento: RS$ 1.1 bilhões (estimado)
● Lucro: Não divulgado
● Fábricas: 2
● Presença global: Não (presente somente no Brasil)
● Maiores mercados: Rio de Janeiro, São Paulo e Nordeste
● Funcionários: 1.500
● Segmento: Comidas
● Principais produtos: Sorvetes
● Ícones: O sorvete Chicabon
● Slogan: Isso sim é diversão.
● Website: www.kibon.com.br
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A marca no Brasil
Atualmente, a KIBON possui unidades fabris no interior de São Paulo (Valinhos) e Recife, vendendo seus produtos em todos os estados brasileiros. A empresa possui 60% de participação de mercado no segmento impulso (picolés) e 51% em Take Home (potes). No geral, a preferência dos consumidores pelos produtos KIBON reflete a liderança significativa da marca, que tem 54,7% de participação no mercado de sorvetes (AC Nielsen jul/2008).
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Você sabia?
● Apesar da KIBON estar presente somente no Brasil, a Unilever, proprietária da marca, comercializa os produtos da Marca do Coração em mais de 40 países. A Marca do Coração opera sob nomes diferentes em mercados diferentes (Wall's no Reino Unido e na maior parte da Ásia, Algida na Itália, Langnese na Alemanha, Kibon no Brasil e Ola na Holanda).
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As fontes: as informações foram retiradas e compiladas do site oficial da empresa (em várias línguas), revistas (Veja, Isto é, Exame, Época, Isto é Dinheiro), sites especializados em Marketing e Branding e Wikipedia (informações devidamente checadas).

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terça-feira, 11 de setembro de 2012

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terça-feira, 7 de agosto de 2012

Bom pra Todos

O Banco do Brasil lançou uma super iniciativa para os seus consumidores. É o Bom pra Todoswww.bompratodos.com.br, que reduz as taxas de juros em diversas linhas. Afinal, porque pra ser bom para a instituição financeira tem que ser bom para você, sempre da melhor forma possível!
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quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

hipoteca Caixa Econômica Federal,

A hipoteca é uma garantia para o banco que concedeu um empréstimo para algum cliente. Quando se faz um empréstimo em qualquer banco, em especial na Caixa Econômica Federal, o banco pega o imóvel do comprador como garantia a favor dele. Na prática, quando se faz um empréstimo, quem fez o empréstimo (adquirente) dispõe da utilização da casa e no contrato o adquirente não pode vender e muito menos modificar a casa.

Bens hipotecados

O imóvel é uma garantia real que confere ao credor, que é o banco, o direito de receber o valor total do imóvel da pessoa devedora, tendo o credor total preferência sobre o valor do imóvel. Este tipo de garantia é exigido pelos bancos para empréstimos de longo prazo, nos quais se necessita uma garantia que pode ser tanto um imóvel como um automóvel, ou ainda outros bens de valor alto.
Essa é uma maneira de o banco garantir que o adquirente irá pagar a sua dívida com o banco. Normalmente, estes empréstimos de longo prazo são dados para pessoas que pretendem comprar um imóvel. Os bens hipotecados podem ser imóveis ou equiparados (automóveis) que pertençam tanto ao próprio adquirente do empréstimo como também de terceiros. A hipoteca tem a função de dar ao credor o direito de ser pago.

Tipos de hipoteca

As hipotecas são classificadas em:

Legais

Têm origem através da aplicação da lei independente da vontade das partes envolvidas quando não há o pagamento do empréstimo;

Judiciais

Resultam de uma sentença condenatória; e

Voluntárias

Hipotecas mais vogais que surgem naturalmente através de contratos de ambas as partes. Quando se realiza uma hipoteca, para que a mesma seja válida é preciso que seja registrada na conservatória de um registro predial com a assinatura de ambas as partes.
É importante ressaltar que, em hipótese alguma, um bem hipotecado poderá ser propriedade de seu credor; ou seja, o bem nunca poderá ser hipotecado pelo seu próprio dono e somente outra pessoa poderá comprar o imóvel ou automóvel hipotecado pelos bancos.
A maioria dos bancos realiza empréstimos e financiamentos ao público, mas em especial, a Caixa Econômica Federal é a que mais realiza. Para que tudo seja feito corretamente e saia nos conformes, muitos empréstimos e financiamentos são feitos através de uma hipoteca, que servirá como uma garantia para o banco.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

empréstimos

Dar e receber empréstimos é tão normal como dar e receberm qualquer outra coisa. Eles ajudam a manter os vínculos sociais por encorajar à reciprocidade. São provavelmente antigos costumes da humanidade, que sempre confiou em mútuas permutas.

O compartilhamento teve também uma parte importante e foi provavelmente a razão pela qual a contagem foi desenvolvido muito cedo pelos Sumérios. A irrigação por canais e a silagem de grãos são melhor feitos coletivamente, mas quem têm o direito a quê têm que ser rigorosamente medido: as horas de irrigação, as medidas unitárias da cevada e os números de ambos. Os cidadãos de Ur inventaram um sistema de contagem baseado em 60 (ao invés de 10), dividindo os dias em duas vezes doze horas e horas em 60 minutos e o compasso em 360 º . Assim, os sinais dos números conduziram aos sinais de palavras e à escrita cuneiforme [1] .

Em outra parte, o descobrimento de metais criou um novo tipo de riqueza. Armamentos e couraças da idade do bronze deram mais poderes aos exércitos e a pilhagem tinha que ser transportada. A antiga idade da pedra, baseada em castas e numa solidariedade coletiva foi esquecida mas a contagem e a escrita sobreviveram. Os Fenícios, os Hebreus, os Micenianos e finalmente os Gregos, transformaram seu pendor artístico em geometria e caligrafia.

Os metais, sua extração e seu uso, mudaram em muito as relações humanas. Começou então a perpétua corrida às armas. A armadura de Aquiles era feita de bronze e oferecia, exceto nos calcanhares, completa proteção. Mas o minério de cobre era bem raro e o de estanho mais ainda, o que significava que aqueles que controlavam esses recursos tinham toda a riqueza e o poder. Os navios eram construídos para os ataques e para o comércio, enquanto os caldeirões tripé (cooking tripods) se transformaram em medidas padrão de valor.

O minério de ferro é bastante comum e o ferro pode ser endurecido simplesmente mergulhando na água quando está aquecido ao rubro. Ao fim do segundo milênio A. C., um vasto movimento populacional, depois chamado de movimento Indo-Europeu, pôs-se à marcha. Parecia, como as datas coincidem, que eles usavam armas de ferro ao tentar, como um furacão, conquistar o mundo. Os Celtas, os Dóricos, os Iranianos e os Arianos da Índia, são os representantes desta pré-histórica corrida humana. Os gregos Iônicos e os Fenícios podem ter participado do movimento anterior, aquele dos povos marinheiros, cujas incursões foram registradas pelos Egípcios sem nomear suas origens. Forem suas as chalupas que alcançaram as praias durante o cerco de Tróia? Foram os heróis da Idade do Bronze empurrados para o Leste e para o Sul pelo avanço dos bárbaros da Idade do Ferro, os quais, no quinto século A.C. , também foram empurrados da Europa Oriental pelos avanços dos Hunos?

No começo do Primeiro Milênio A.C. o ferro tinha se tornado a mais importante mercadoria para a paz e para a guerra, com as relhas (dos arados) sendo transformadas em espadas para as incursões de verão e de volta às relhas, nas lavras do inverno. Como o bronze tornou-se redundante, sua função como medida de valor submeteu-se à inflação. E o ferro, como uma reserva de valor, tinha duas inconveniências: a de ser tão abundante e a de enferrujar-se. É nesta data que a prata e o ouro deixaram de ser meramente decorativas.

Comparar valores é tão antigo quanto trocar presentes. Entretanto, uma abstrata medida de valor (uma panela de bronze ou uma pele de animal ou seja o que for) supõe um mercado onde esta abstração é aceita por todos aqueles interessados. A circulação de dinheiro que não tenha nenhum valor de uso em si, depende de um mais largo consenso. Tem que haver um acordo sobre o valor apresentado e sobre a representação desse valor, sobre o que a moeda vai comprar e do que essa moeda é feita. Antes, ninguém havia encontrado nenhum uso para a prata e o ouro, exceto em equipamento e em vestuário (a utilização industrial de ambos é muito recente). Isto significava que a maior parte do metal precioso pertencia aos deuses, à seus templos e aos seus sacerdotes. Assim foi o caso da Gália, quando Ceasar a devastou, ou no México, antes de Cortez, ou Peru, antes de Pizarro.

E, no atrazado ano de 88 A.C., o Banco Central da Confederação de Atenas, localizado no Templo de Apolo, na ilha de Delos, foi pilhado por Mitridates. E novamente, quase 12 séculos depois, ao se iniciarem as cruzadas (1096), foram as igrejas e os monastérios que forneceram os fundos para a jornada com o ouro de suas reservas, usualmente garantido por hipotecas, literalmente em inglês, por uma penhora até a morte.

As rotas de comércio, por terra ou por mar, se encontravam em zonas de mercado onde as trocas tinham lugar. Essas trocas são bastante facilitadas por uma unidade comum de valor representada por alguma forma de moeda. A prata e o ouro pareciam existir para apenas este propósito. Ambos são raros, ambos resistem à oxidação e o ouro é praticamente inalterável. Assim o ouro [2] , a moeda e a riqueza tornaram-se indistinguíveis. E, com o mercado se expandindo, assim acontecia com a circulação dos metais preciosos, dos quais nunca havia o suficiente... A riqueza era dinheiro e dinheiro era ouro, cuja possessão obsedava não apenas os mercadores e os banqueiros, mas também os juristas e senhores da guerra, que usam a riqueza para controlar o poder. Esta cobiça por ouro ajudou a manter um perpétuo estado de guerra, de conquista e de império.

Ao mesmo tempo, os mercadores (que logo serão mercadores-banqueiros) estavam redescobrindo a quantidade de valor contábil. Quantidades de ouro e moeda podiam ser reduzidas a cifras num livro razão, com algo a mais, algo a menos nos valores registrados e também, em letras de câmbio. O crédito estava inventado. E, como os mercadores tinham aprendido que comprar mercadorias para vende-las de novo poderiam gerar lucros, os banqueiro, por seu turno, aprenderam que dinheiro por dinheiro, sem mercadorias intermediárias, poderiam pagar juros.

Assim foi a grandeza de Roma antes de sua queda. Quase todo o dinheiro desapareceu na Idade das Trevas. Mas os Bizantinos preservaram o antigo conhecimento. Até que o Califado de Bagdá e a República de Veneza reviveram esta situação, com o Este e o Oeste juntos mais uma vez na guerra (santa).

O serviço do comércio e dos bancos sempre esteve intimamente ligado, sendo o dinheiro a principal mercadoria, o valor dos valores. A banca foi revivida no este da Europa, especificamente em Veneza. Foi seguida pelos Lombardos, que cruzaram os Alpes e abriram suas bancas nas capitais da Renascença. A reforma das bancas provou ser um revés na medida em que a usura era julgada herética pelos monarcas absolutos e príncipes da igreja e do Estado, permanentemente em débito. Mas a República Holandesa e a Confederação Suíça ofereceram um porto seguro "Protestante" aos membros do comércio bancário. Os banqueiros holandeses seguiram naturalmente William de Orange quando lhe foi oferecido o Trono Inglês (1661) e cruzaram o Atlântico em direção a Nova Amsterdã, recentemente renomeada Nova Yorque (1661), o futuro centro do mundo financeiro.

Os banqueiros de Roma e da Renascença tinham materializado o sonho dos alquimistas de fazer ouro. Eles tinham compreendido que dinheiro era apenas promessa de valor e que uma promessa pode ter uma dentro de vários tipos de formas. E quando César e Pompeu enxamearam o mercado com prata e ouro ou quando o ouro fluiu na Europa vindo das Américas, algumas dessas promessas eram uma melhor garantia de valor do que os metais preciosos, porque eles compensaram a inflação com os juros cobrados.

Os banqueiros souberam desde o começo que a contabilidade e o papel moeda eram promessas de valor tão reais quanto moeda ou ouro. O passo seguinte foram as câmaras de compensação que exigem estabilidade e parecem terem sido iniciadas pelos holandeses. Mas a idéia passou rapidamente para Londres e de lá para o resto do mundo. Promessas de valor em papéis podiam ser trocadas de tal forma que os bancos recuperavam as promessas de seus próprios depositantes. E qualquer promessa de relevo poderia ser estabelecida pelos próprios bancos. A moeda e o ouro não mais mudaram de mãos, exceto para restabelecer desequilíbrios crônicos. A moeda e o ouro eram reservas de valores, uma mera fração do valor de troca e do crédito que poderiam ser concedidos. Entretanto, até recentemente, os bancos estavam apenas interessados pelas transações comerciais, enquanto que o resto da humanidade tinha de operar com moedas cunhadas.

Para realmente poder funcionar, a medida do valor do dinheiro e seu uso, como processo intermediário nas trocas, tem de ser universalmente aceito. A moeda é um meio e um vínculo. Ela fortalece a coesão nacional como faz a linguagem. A moeda é o símbolo das nações que orgulhosamente proclama isto em suas notas e moedas. Cunhar (ou imprimir) moeda é uma prerrogativa dos estados soberanos. Mas este controle público das moedas contradiz o controle privado do crédito pelos bancos. A criação da moeda é um conjunto de matéria pública e privada e ambas têm diferentes juros.

Moeda tem dupla identidade. De um lado é caixa, a moeda do Estado ou greenback (papel moeda, nos EUA). De outro lado é crédito. Ambas são promessas de valor, para vir . Dinheiro em caixa é vinda imediata, enquanto crédito significa promessa de valor com vinda posterior. E é este atraso que justifica a usura e o desconto. A emissão da moeda tem sido tradicionalmente um monopólio governamental. Significando isto que toda a moeda recém emitida é posta em circulação em gastos públicos. Esta é uma medida inflacionária que raramente saiu das mãos enquanto o dinheiro foi constituído de moeda de ouro e prata. Entretanto, desde a introdução do dinheiro bancário, os casos de altas inflações e bancarrotas de Estados são inumeráveis. De fato, a dubiedade no valor do papel moeda não foi realmente resolvido até que o dólar dos EUA substituiu o falho padrão ouro como moeda internacional em 1970. Embora as notas emitidas pelos bancos privados escoceses já fossem consideradas melhores do que as moedas, isto há cem anos.

Fazer dinheiro era direito dos reis, mas algumas constituições colocaram esta função fora das mãos do governo, instituindo bancos centrais autônomos, notavelmente o Banco da Inglaterra e o Banco da Reserva Federal dos Estados Unidos. Esta decisão não satisfez ninguém. Thomas Jefferson advertiu sobre os perigos dessa prática devido à ausencia de escrutínio público [3] . Mas a História mostrou que um banco central autônomo é uma instituição com mais sucesso quando é controlado por uma contra-parte do governo. Assim, a Alemanha pode impor os estatutos de seu Banco Central autônomo, em oposição ao Banco Central Francês, no atual Banco Central Europeu, regulador da Euro-zona.

Idealmente a banca é um negócio privado, uma relação confidencial com seus clientes concernente ao assunto "dinheiro". Mas dinheiro é também um assunto público. O que eu compro com isto? Há quanto em circulação? Qual o preço do empréstimo? Quem tem e quem não tem? Dinheiro é aquilo que o governo nos toma. E, como nosso intermediário de trocas, é o que nos deixa viver. Sem dinheiro, nos temos de tentar tudo para continuar respirando. Os bancos manipulam de uma maneira bastante antiga a mais pública das mercadorias. Bancos são o primeiro e a último modelo do capitalismo, da propriedade privada e dos meios de produção.

Os bancos são apenas marginalmente interessados no fluxo de caixa atual, porque seu verdadeiro negócio é garantir crédito. E os créditos são apenas marginalmente baseados em reserva de moeda. Controlando o crédito os bancos decidem quem pode ou não aumentar seus gastos. Eles também decidem se o gasto suplementar vai para investimentos ou para consumo. Tradicionalmente, é certo, os bancos apenas concedem crédito para empresas comerciais e por último, às indústrias. Embora eles financiem monarcas, usualmente para guerras, e aceitem hipotecas dos proprietários aristocratas. Ordinariamente os consumidores deveriam ir às lojas de penhores para obter algum dinheiro extra. Mas o micro-crédito é um negócio lucrativo e os bancos finalmente obtiveram seu controle também.

O crédito permite despesas além da renda atual. Se o gasto suplementar é em investimentos, e tudo vai bem, isto vai fazer com que a renda aumente e reembolse o crédito. O lucro obtido neste investimento deverá cobrir os juros pagos para o crédito e deixar algum para o investidor. Se o gasto suplementar for em consumo, nada disso acontece. Consumo não aumenta a renda. Consumir mais hoje apenas significa consumir menos amanhã, quando o crédito será pago com juros.

Quando o crédito aumenta a demanda pelo investimento, este investimento extra dirigi-se ao processo de produção e modifica o valor produzido. Ele poderia aumentar, manter ou reduzir a força de trabalho, dependendo se está duplicando a tecnologia existente ou introduzindo novas tecnologias ou ganhos produtivos. As decisões para aumentar os investimentos depende do estado das artes tecnológicas e da demanda no mercado. Um mercado em expansão convida à duplicação da produção existente com aumento da força de trabalho e do valor produzido. Um mercado estável ou retraído impõe ganhos em produtividade. Estes ganhos resultam de avances tecnológicos ou de economias de escala, quando há concentração de capitais e terceirização. Estas mudanças mantêm ou até mesmo reduzem o valor produzido. Seu objetivo é aumentar as margens de lucro pela redução do custo do trabalho e dispensa temporária da força de trabalho.

O capitalismo se expande e se concentra e estas duas fases se repetem em sucessão. Como a fase de expansão de dá num momentum e novas fases de energia são aproveitadas (pelo vapor ou pela combustão interna), novas formas de riqueza são produzidas. Esta é uma época de progresso social e político e de pleno emprego. Esta é a fase benigna do capitalismo, quando tudo parece igualitário em seus objetivos, prometendo trabalho e prosperidade para toda a humanidade. O crédito é duplamente concedido para os investimentos, pelo setor público e pelo setor privado. E a maior parte dos valores vai para os salários. Mas o investimento precede o consumo, geralmente por alguns anos, o que significa que a demanda constantemente excede a oferta e a inflação se espalha.

O crédito é investido em infraestrutura e produção e aumenta a demanda para consumo além da oferta. Isto aumenta o emprego e encoraja os subsequentes aumentos salariais, que são contidos por aumentos de preços. Quando dá-se uma alta inflação como conseqüência de tal fato, ocorre um aumento repentino nas taxas de juros, que conduz a novos aumentos de preços e instabilidade social devido a perda do valor de compra do salário real, seguida por mais inflação. Em certo ponto há um aperto de crédito. Os bancos estão recuperando valores atuais menores que os valores concedidos e acham-se em dificuldade financeiras. Há uma generalizada tendência à queda de produção e as conseqüentes redundâncias reduzem a demanda. A inflação é estabilizada permitindo ao concentrado estado do capitalismo entrar em novo ciclo ascendente.

O valor adicionado pela atividade humana é dividido entre a força de trabalho e o Estado, os proprietários de terras, os comerciantes, os banqueiros e os industriais. Salários, taxas, rendas, margens comerciais, juros e lucros corporativos são os equivalentes monetários das mercadorias e serviços produzidos. Se alguns dos participantes pegam uma menor parte, os outros pegarão uma maior. Se salários e taxas são reduzidos (não necessariamente em termos absolutos, mas seguindo a baixa inflação ao invés dos ganhos de alta produtividade), então as rendas, as margens comerciais, juros e lucros das corporações irão aumentar suas partes, embora este aumento não seja dividido em partes iguais. Como a força de trabalho e o Estado compõem o máximo da demanda de consumo, a redução de suas respectivas partes do valor adicionado precisa ser compensado por crédito barato, produtos de consumo baratos e renda disponível [4] . Enquanto isso os lucros das corporações podem alçar-se sem esforço. Ambos esses efeitos ajudam a concentrar a posse de capitais. O baixo aluguel das terras coloca os pequenos fazendeiros fora do negócio e baixas margens comerciais fazem o mesmo com os pequenos lojistas. Baixas taxas de juros são compensadas pelo aumento do crédito concedido (é apenas dinheiro virtual, de qualquer forma). Enquanto que o crescimento dos lucros das corporações transforma-se na ferramenta financeira para o controle global da produção.

O valor adicionado, na forma de lucros das corporações, é investido em estoques e ações e concentra o controle da produção em empresas quase monopolistas. Taxas reduzidas são compensadas por empréstimos públicos e salários estagnados por hipotecas e crédito ao consumidor. O crédito gira do investimento para o consumo. Mas o investimento cria valor enquanto o consumo destrói valor. Crédito investido põe as pessoas para trabalhar e é restituído pelo valor adicional que ele produz. Crédito ao consumidor, público ou individual, náo faz nada. Pode apenas ser restituído por um novo crédito maior (devido aos juros) ou pela redução do futuro consumo.

O controle da produção capitalista se concentra sobre uma grande quantidade de lucros os quais, por sua vez, acentua a concentração de capitais. O necessário crescimento no consumo pelo Estado e indivíduos é preenchido pelo crédito e pelas hipotecas. Mas, em razão dos juros, a simples sustentação da demanda requer aumento do crédito enquanto que o crescimento da demanda requer muito mais. Os débitos do Estado e dos indivíduos precisam ter uma trajetória que inclua o crescimento da taxa de demanda de consumo e da taxa de juros. Para demandas que cresçam 3%, quando a taxa de juros é 3%, há que haver 6% de crescimento dos débitos.

O crédito passa do investimento, onde o valor é retornado para o processo de produção, ao consumo, onde o valor é destruído. Ao mesmo tempo, o valor adicionado das rendas, que supõe-se serem consumidos, é acumulado na forma de riqueza em capitais, como propriedade privada dos meios de produção. Como o consumo não retorna valor, o crédito ao consumo precisa ser renovado e aumentado (juros) para manter a demanda. Créditos renovados em geral e créditos para o consumo em particular, tem ciclos de crescimento de dois tipos com uma variedade de escalas de tempo com relação ao intervalo de duração do crédito concedido.

Os empréstimos do Estado toma forma de empréstimos do Tesouro, a serem reembolsados basicamente em 10 ou 30 anos. Isto significa que os empréstimos do Estado crescem considerável e subitamente cada 10 e 30 anos. Quando isto não acontece há uma baixa na curva de crescimento, quando débitos retornados (e juros) excedem os renovados. Empréstimos individuais são geralmente reembolsados pouco a pouco durante a duração do empréstimo (ou hipoteca). Isto significa que as periódicas ondas nos créditos retornados e a correspondente baixa na curva de crescimento são mais progressivas do que as referentes aos títulos de tesouro [5] . O crédito para os consumidores individuais varia em tamanho, por semana ou mês, devido aos saques para compra de uma televisão ou um carro (1 a 5 anos) ou uma casa (10 a 30 anos).

Quando o aumento das rendas é investido em capitais, a demanda aumentada para consumo depende do aumento do crédito. Mas o aumento do crédito é cíclico, com o retorno dos débitos precisando ser renovados e aumentando ou abrupta ou progressivamente, sempre de acordo com um preciso calendário. Em 1939 J. A. Schumpeter publicou uma escala de tempo para o crescimento do crédito ( Business Cicles, p. 213). Ele incluiu as curvas de Kitchin, Juglar e Kondratieff mas não as de Kuznets, por ele as ter estudado em data posterior. Schumpeter apresentou uma escala de tempo para a longa onda de 57 anos de Kondratieff. Isto significa que o correspondente período à nosso tempo é 1950. Uma data que não aparece na longa lista de equivalentes recentemente dada por Alan Greenspan: 1837, 1907, 1987 e 1998 [6] . 1950 foi a inauguração do ciclo de estagnação e inflação e de uma Orweliana virada, em que os aliados de ontem (URSS, China e os Partidos Comunistas da Europa e Ásia) tornaram-se inimigos, e os inimigos de ontem (Alemanha, Itália, Japão e os Partidos Fascistas da Europa e Ásia, tornaram-se aliados [7] . 1950 foi o ano em que Joseph McCarthy começou sua campanha em frente ao Republican Club em Wheeling, West Virginia [8] . Foi o ano em que Ethel e Julius Rosenberg foram processados. 1950 viu o início da Guerra da Coréia, da Guerra Indo-Chinesa e das guerras de liberação colonial por todo o planeta. Pode a mesma posição no ciclo do débito trazer hoje as mesmas conseqüências? Por muitas razões parece que já estamos ali, de algum modo a frente da escala. Embora o aparecimento gradual da estagflação vá ainda golpear os mercados do mundo.
21/Setembro/2007
Notas
[1] Isto também aconteceu no Egito, mas sua contabilidade parece ter-se perdido, e os hieróglifos parecem não competir com o alfabeto fonético.
[2] No Grundisse, Karl Marx vai até o valor relativo entre a prata e o ouro. Não há minério de ouro, embora os alquimistas procurassem há tempo por isso. O ouro está sempre em seu estado elementar, sempre fundido com pequenas quantidade de prata. Esta é a origem da primeira prata que já foi mais rara do que o ouro e mais valiosa. Numa época foi conhecido como extrair prata do minério de prata e a prata tornou-se mais abundante do que o ouro, invertendo- se a razão, e a prata tornou-se menos valiosa do que o ouro. Com umas poucas exceções locais, conforme mencionado por Karl Marx.
[3] "Se o povo americano alguma vez permitisse que os bancos privados controlasse a emissão da moeda, primeiro pela inflação, depois pela deflação, os bancos e corporações, que iriam crescer em volta deles, iriam despojar o povo de toda a propriedade até seus filhos ficassem sem casa, no continente que seus pais conquistaram." Thomas Jefferson ( http://www.apfn.org/APFN/fed_reserve.htm )
[4] Em artigo anterior expliquei como isto pode ser resolvido pelo Comércio Exterior.
[5] Supondo que um novo crédito de 5 anos seja introduzido, com juros de 5% ao ano. O novo débito é disposto para incrementar a demanda por 100 unidades de valor por ano. Quanto poderá ser emprestado em cada ano consecutivo para que isto aconteça?
Por simplifcação os juros dos juros são ignorados.
Anos 12345
Títulos Governamentais 100 105 110 115 120
Hipotecas 100 125 150 175 200
[6] Le Monde, 8 de setembro de 2007
[7] Nineteen Eight-Four foi publicado em 1949
[8] Harry Truman assinou Exe

[*] O autor pode ser contactado em kencouesbouc@yahoo.fr

O original encontra-se em http://www.counterpunch.org/couesbouc09212007.html
Tradução de Ciro de Oliveira Machado


Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

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